18.5.07










não dizia palavras






Aproximava só um corpo interrogante,
Porque ignorava que o desejo é uma pergunta
Cuja resposta não existe,
Uma folha cujo ramo não existe,
Um mundo cujo céu não existe.


A angústia abre caminho entre os ossos
Sobe pelas veias
Até abrir-se na pele,
Jorros de sonho
Feitos carne em interrogação às nuvens.


Um toque ao passar,
Um olhar fugidio no meio das sombra,
Bastam para que o corpo se abra em dois,
Ávido de receber em si um corpo que sonha;
Metade e metade, sonho e sonho, carne e carne,
Iguais em figura, iguais em amor; iguais em desejo.


Embora só seja uma esperança
Porque o desejo é uma pergunta cuja resposta ninguém sabe.








/luisCernuda os praZeres proibidos.trad desC. roSes:layritz.karsten/

2.4.07




~







Duerme tranquilo




Dijiste la palabra que enamora
A mis oídos. Ya olvidaste. Bueno.
Duerme tranquilo. Debe estar sereno
Y hermoso el rostro tuyo a toda hora.
Cuando encanta la boca seductora
Debe ser fresca, su decir ameno;
Para tu oficio de amador no es bueno
El rostro ardido del que mucho llora.
Te reclaman destinos más gloriosos
Que el de llevar, entre los negros pozos
De las ojeras, la mirada en duelo.
¡Cubre de bellas víctimas el suelo!
Más daño al mundo hizo la espada fatua
De algún bárbaro rey. Y tiene estatua.





[ Alfonsina Storni fot Kerstin Junker



.

21.3.07

gli SSe ment pro greSS if




~






here

i ate

today

suddenly

three-almond-cakes


~

here

i wondered metaphorically that a poem should be a whale (!)


.

here

i celebrated following the nomadic and magical rotation

of-the-happy-small-planets







( tradução súbita e in esperada da Lavinia Saad. após o que outras as palavras. )




Uma visita sua (II)




Uma visita sua
é um copo de água fresca,
é a água e o copo
e a mão que segura o copo.
Em dias que eu não tiver mais copo
faz as mãos em concha
que te darei água fresca.
Em dias que eu não tiver mais água
faz as mãos em flor
eu saberei conjurar a água.
Uma visita sua
é em si um copo de água fresca.

A tua ausência
é um leito seco de riacho.
Barro duro e rachado,
ossos encrustados no chão.
É as margens ásperas dos meus lábios,
os sulcos vazios, palavras num vão.
Eu rôo a tua ausência
até sobrar só um pitoco.
Eu descasco a tua ausência
Até restar só o caroço.
Faz falta a sua visita
como um rio de água fresca.





(Lavinia Saad março 07)




( sÓ.paRa-SaBore.aR. deSejOs.de.hoJe:

doCeS.paLaVraS-doCe.pRiM.aveRa:

de-gieSTas-aMarelaS. áGua e Mel:

a.Pe.S.ar. )






[ foto brasilandobraga




7.3.07

gli SSe ment

~














aqui

comi

hoje

subitamente

três-bolos-de-amêndoa

~

aqui

duvidei metaforicamente que um poema deva ser uma baleia (!)

.

aqui

comemorei a seguir a nómada

e mágica rotação

dos-pequenos-planetas-felizes












[ fot espelh-ação ( brasileira braga

5.3.07

ca la mus





~






WHEN I HEARD AT THE CLOSE OF THE DAY




When I heard at the close of the day how my name had been
receiv’d with plaudits in the capitol, still it was not a
happy night for me that follow’d;
And else, when I carous’d, or when my plans were accomplish’d,
still I was not happy;
But the day when I rose at dawn from the bed of perfect health,
refresh’d, singing, inhaling the ripe breath of autumn,
When I saw the full moon in the west grow pale and disappear
in the morning light,
When I wander’d alone over the beach, and undressing, bathed,
laughing with the cool waters, and saw the sun rise,
And when I thought how my dear friend, my lover, was on his
way coming, O then I was happy;
O then each breath tasted sweeter – and all that day my food
nourish’d me more – and the beautiful day pass’d well,
And the next came with equal joy – and with the next, at evening,
came my friend;
And that night, while all was still, I heard the waters roll
slowly continually up the shores,
I heard the hissing rustle of the liquid and sands, as directed to
me, whispering, to congratulate me,
For the one I love most lay sleeping by me under the same cover
in the cool night,
In the stillness, in the autumn moonbeams, his face was inclined
toward me,
And his arm lay lightly around my breast – and that night I
was happy.





QUANDO OUVI PELO FIM DO DIA




Quando ouvi, pelo fim do dia, como o meu nome havia sido
recebido com aplausos no Capitólio, ainda assim não foi
feliz para mim, a noite que se seguiu;
E, quando festejei, ou, quando os meus planos foram atingidos,
assim mesmo não me senti feliz;
Mas, no dia em que cedo me levantei, de perfeita saúde,
renovado, cantando, inalando o maduro fôlego outonal,
Quando vi a lua cheia, a oeste, ficando pálida e a desaparecer
na luz da manhã,
Quando vagueei sozinho sobre a praia e, despindo-me, me banhei,
rindo com as águas frias, e vi o sol nascer,
E quando pensei em como o meu querido amigo, o meu amante, estava a
caminho, Oh, então senti-me feliz;
Então, cada fôlego me foi mais doce – e todo o dia, meu alimento
me nutriu mais – e o belo dia passou bem,
E o seguinte chegou com igual alegria – e com o próximo, pelo fim da tarde,
chegou o meu amigo;
Naquela noite, quanto tudo estava calmo, ouvi as águas rolar
continuamente, lentas sobre as margens,
Ouvi o assobio sussurrado do líquido e das areias, como que dirigindo-se a
mim, cochichando, felicitando-me,
Porque aquele que amo dormia comigo sob a mesma coberta
na noite fria,
No sossego, nos outonais raios de luar, seu rosto inclinado
sobre mim,
Seu braço em redor do meu peito, suavemente – e naquela noite
fui feliz.







in CALAMUS. Walt Whitman. Trad. José Agostinho Baptista





"Cálamo é aqui uma palavra corrente.
Trata-se da erva ou juncácea aromática
de grande porte que cresce nas zonas
pantanosas dos vales,
cujo caule mede quase um metro de altura;
vulgarmente chama-se sweet-flag;(...)"
(carta de Whitman ao seu editor inglês em 1867)



3.3.07

vo O



~











o des-per-ta-dor a

fazer tik-tak-tik-tak-tik-tak...

sempre-a-mesma-mesa

sempre-os-mesmos-olhos

pensou mudar de boca e d` ouvidos

é preciso mudar alguma coisa disse o homem

e repetiu e repetiu e

repetiu

pra começar trocou as palavras:

ao muro chamou vento

à casa espelho

à casa espelho ( à casa lua?

à lua casa

à estátua peixe

à rua pastagem

à morte voo


( criou então um lugar mágico onde anotava as letras

ainda quentes...)











[ fot letra s zup







26.2.07

all beauty




~











hOje a minha felicidade

é iGual à de todas as Mulheres da minha terRa


eStender a leNta roupa ao soL

qUe eMbala


liMpar as mãos no aVental

aMaSsar

escoRrer no Vinho o pãO


fazer a Sopa


faZer a sopa







[ fot memória-palha

25.2.07

beijo




~











mel ange




orbs



rota



falar do beijo das palavras








~






[ fot ver de crescer