chama uma vez vi
branco
uma vez vi um quadro sobre um punhado de areia que era a praia
e um cão de cartão
e um homem de suor.
acontecia num espaço delimitado por bobinas e sons
era um espaço mental mais que um espaço físico,
habitado pelo homem em desespero crescente de comunicar consigo através do cão,
pesquisar o cartão e o calor por dentro do cartão
o suor do seu corpo varre o chão e as bobinas que serão flores mais tarde
som e fita, areia e cinza e suor
o homem nasceu nu e vai despindo sombras
fá-lo numa perfeita e visceral organicidade,
apesar das pétalas de chama que o consomem
há uma fénix de água marinha nas suas palavras
- strangely enough I am conforted by my smallness, and not for a moment dizzy or lost, repete
e repete e repete infantil e sábio, muito perto da luz


onOcensAndBonesdeRuiHorta
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AntónioLoboAntunes Branco*
Meu eu sem tu
Meu ninguém de sombra
*forma alterada















