1.3.08




~







remember remember i cannot remember










rebmemer ][ remember








] tonnac i ]





i cannot i cannot remember not me not me i












rápidasfotosdepassagemlisboaberardoCCBdezembro2007

25.2.08






~~ ~












estou deitada à semente oval do reino



colo na tua memória poética as cartas do ar

ainda é natal a flor excessiva de rosa falece no vaso

ontem como agora

[ often being a bird

não comer não dormir não ser




des con ti nu ar









teço esta gaiola na água mais limpa

rotina calada da nota mais vaga

sem saber a resposta às perguntas
do sangue

da altura dum sol grotesco e vão









de frente à



inutílima retórica das palavras


pressinto as aves que chegam mais tarde

e porém e ainda

deste


longe mais perto às órbitas que anunciaste



daqui te peço




[ te peço por dentro das luas

que sou












explica-me

[ o branco entre-linhas o canto do ninho

explica-me os pássaros













foto1SleepingWithTheStonesJPSousa2do blog da vi 3MandySchaff





~

20.2.08






~







- aponta aponta me à terra esse

sonho dream rêve



amanhã tomorrow demain
pára raios de garfos erectos


amor
love amour


a m or

a



ver dade the
truth la vérité



é que as palavras são tão parcas de alegria



muito menos porta onde se esgaravata e tanto menos



com preen são understanding compréhension



pa lavras the
words les paroles


levariam



tern ura
tenderness tendresse



que nos voasse
ao mundo que


se enrola todos os dias onde se morre do tarde das palavras


na escassez deserdada de gestos ]



a verdade truth vrai





das palavras do labirinto a desistir


[cravadas de espantadas interrogações poses automáticas


da vida life la vie




onde não jorra nenhuma senão lentidão verbal


arrumadinha em caixotes de prata...um palato inacabado




línguas encravadas de pasta pânico e estacas




liber dade
freedom la liberté



se não liberta antes secura bebida no pó


longas estradas de atravessar com pri dís si mos nadas


na peugada da aflição canora do


ven to
the wind le vent

errático en dividado sempre a soprar do outro lado

do outro lado do ar rio que implode e se contrai


sempre do outro lado... do lado










do outro la do













de l´autre côté















from the other side













texto a partir da sugestão do uso de 12 palavras da mateso, artmus , foto1straightSaschaKrause2zéPedro

16.2.08


~








estava deitada lendo um romance pol


icial intitulado crime pelo telefone


e tinha chegado à cena em que a vít


ima está deitada lendo um romance p


olicial intitulado crime pelo telef


one e é subitamente arrancada da le


itura por uma campainhada estrídula


do telefone. neste momento foi subit


amente arrancada da leitura por uma


campainhada estrídula do telefone. c


om o coração a bater e um amargo na


boca preparava-se para ir atender. f


oi neste momento que acordou banhad


a em suor e acendendo a luz viu no


espelho o cano da pistola apontado


para si: as forças de segurança gelam.


para bem do bem. se necessário a mal.











Nota - Trata-se dum jogo sexual perfeitamente inofensivo, uma vez que não há ejaculação propriamente dita







~

albertoPimenta.alteradoFotoAnnaEckold

14.2.08

~






¡TODO ERA AMOR!¡


Todo era amor... amor!


No había nada más que amor.











En todas partes se encontraba amor.

No se podía hablar más que de amor.



Amor pasado por agua, a la vainilla,



amor al portador, amor a plazos.



Amor analizable, analizado.



Amor ultramarino.




Amor ecuestre.





Amor de cartón piedra, amor con leche...



lleno de prevenciones, de preventivos;

lleno de cortocircuitos, de cortapisas.






Amor con una gran M, con una M mayúscula,



chorreado de merengue,



cubierto de flores blancas...



Amor espermatozoico, esperantista.



Amor desinfectado, amor untuoso...



Amor con sus accesorios, con sus repuestos;





con sus faltas de puntualidad, de ortografía;






con sus interrupciones cardíacas y telefónicas.



Amor que incendia el corazón de los orangutanes,



de los bomberos.



Amor que exalta el canto de las ranas bajo las ramas,



que arranca los botones de los botines,



que se alimenta de encelo y de ensalada.





Amor impostergable y amor impuesto.



Amor incandescente y amor incauto.

Amor indeformable.




Amor desnudo.





Amor amor que es, simplemente, amor



.











Amor y amor... ¡y nada más que amor!



























oliverioGirondo
alterado foto1verdesAnosPauloCésar2flowerTripSuzanneB3aoLuar

11.2.08







~








































Vibamus, mea Lesbia, atque amemus

Rumoresque senum seuesriorum

Omnes unius aestimemus assis.

Soles accidere et redire possunt;

Nobis cum semel occidit breuis lux,

Nox est perpetua una dormienda.

Da mi basia mille, deinde centum.

Dein mille altera, dein secunda centum,

deinde usque alteremille, deide centum.

dein, cum milia multa facerimus,

Conturbabimus possit illa, ne sciamus,

Aut nequis malus inuidere possit,

Cum tantum sciat esse basioruim.







________________________________________________________



Vivamos, Lésbia, amando,

e que nos não perturbe

o cansado murmúrio

de quem envelheceu.

Podem morrer, nascer

seguidamente os sóis:

a nós, porém, assim

que a breve luz nos foge,

logo nos é forçoso

dormir a inteira noite.





Beija-me cem, mil vezes,

inda mais cem, mais mil,

agora mil, e cem...

Depois, quando fizermos

tantos milhares que nem

os possamos contar,

baralhemos a conta,

para evitar que alguém,

sabendo o número exacto,

nos venha a invejar.











~

CATULO entre verona e roma séc.I a.C.traduçãoDavidMourão-Ferreira foto1deborahRuthRenz2angelica


8.2.08





~~





inventei a dança



inventei a dança
inventei



a


dança.quebra


(( aqui

desnudada faca e ferros


se se adivinhar de que

estrondo.estrilho a talho adivinhar!? ))


xxxxxxxxx


xxxxx


para me

disfarçar ( ai deus





xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx


para me

dis farç ar ( a i



( um passo ante
pa s s o parado abismado )




- onde estiveste tanto tempo sen t ado ) onde ?


sentado

sent ado



intacto.marc ado



( sono sono tenho sono de ti tenho sono de ti



tenho sono.lento tenho.sono lenta sonho sono de ti

de


( No ar agora cabalmente exíguo e seco Mais exíguo e mais seco que o desejo



No ar agora cabalmente exíguo do in s tinto - ai deus


exiguamente.água

deságua

exi

exi
exi






xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx





texto.colagem T S Eliot.Sophia de M Breyner un dress foto1fruitsManuKA2gluecksmarie

5.2.08


~


ASH-WEDNESDAY - I



Because I do not hope to turn again
Because I do not hope
Because I do not hope to turn
Desiring this man's gift and that man's scope
I no longer strive to strive towards such things
(Why should the agèd eagle stretch its wings?)
Why should I mourn
The vanished power of the usual reign?






Because I do not hope to know
The infirm glory of the positive hour
Because I do not think
Because I know I shall not know
The one veritable transitory power
Because I cannot drink
There, where trees flower, and springs flow, for there is nothing again
Because I know that time is always time
And place is always and only place
And what is actual is actual only for one time
And only for one placeI rejoice that things are as they are and
I renounce the blessèd face
And renounce the voice
Because I cannot hope to turn again
Consequently I rejoice, having to construct something
Upon which to rejoice


And pray to God to have mercy upon us
And pray that I may forget
These matters that with myself
I too much discuss
Too much explain


Because I do not hope to turn again
Let these words answer
For what is done, not to be done again May the judgement not be too heavy upon us

Because these wings are no longer wings to fly
But merely vans to beat the air
The air which is now thoroughly small and dry
Smaller and dryer than the will
Teach us to care and not to care
Teach us to sit still.



Pray for us sinners now and at the hour of our death
Pray for us now and at the hour of our death.




QUARTA-FEIRA DE CINZAS - I


Porque não mais espero voltar
Porque não espero
Porque não espero voltar
A este invejando-lhe o dom e àquele o seu projeto
Não mais me empenho no empenho de tais coisas
(Por que abriria a velha águia suas asas?)
Por que lamentaria eu, afinal,
O esvaído poder do reino trivial?









Porque não mais espero conhecer
A vacilante glória da hora positiva
Porque o penso mais
Porque sei que nada saberei
Do único poder fugaz e verdadeiro
Porque o posso beber
Lá, onde as árvores florescem e as fontes rumorejam,
Pois lá nada retorna à sua forma

Porque sei que o tempo é sempre o tempo
E que o espaço é sempre o espaço apenas
E que o real somente o é dentro de um tempo
E apenas para o espaço que o contém
Alegro-me de serem as coisas o que são
E renuncio à face abençoada
E renuncio à voz
Porque esperar não posso mais
E assim me alegro, por ter de alguma coisa edificar
De que me possa depois rejubilar


E rogo a Deus que de nós se compadeça
E rogo a Deus porque esquecer desejo
Estas coisas que comigo por demais discuto
Por demais explico


Porqueo mais espero voltarQue estas palavras afinal respondam
Por tudo o que foi feito e que refeitoo será
E que a sentença por demais o pese sobre nós

Porque estas asas de voar já se esqueceram E no ar apenas são pás que batem
No ar agora cabalmente exíguo e secoMais exíguo e mais seco que o desejo
Ensinai-nos o desvelo e o menosprezo
Ensinai-nos a imobilidade.

Rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte
Rogai por nós agora e na hora de nossa morte.









T S ELIOT ash-wednesday I desconstruído.tradução misturada foto1collage19 Jugioli 2 ruela

1.2.08




~






era
entre todas que me estrebuchava










entre tanto que me articulava



água.pira.lamas.
era


queijo.ara pão.fera

era vaga filoxera


( melancólica.gimnopédica.era

mas não

nem tão )


como era


como hera


era






se não

























babel is watching poema para moloi. foto1frankMelech2alexAkaxela.








.

25.1.08





~~








ssaros seguido de monólogo do homem à beira da cave















































dançam-me as vogais


uma dança apertada






ramo de groselhas


na boca fechada






precipício


que olho fixamente aberto






precipício aberto que atiça


e enlaça






ai que estou tão triste


sumindo-me as asas






diluindo ausências




capaz de ser nada





























foto1TitusKonold26BastianMueller

22.1.08




~~
2






o r
four )







two.lost.souls. almost.three








4 o r







four) other






4 other more

anatema disse...


Me gustaría ser

molécula marina,

brizna ligera

sobre miés cortada.

Me gustaría ser

pez con ligera aleta

y traspasar las lindes

de tu circunferencia.

Me gustaría ser

espiga seca

ser segada

por plateada guadaña.


nana disse... /alterado



a mim me gustaria a mim me gustaria a mim

ser~

e t erna (me gustaria)

en el mar (ser)~

com o lhos

e peixes~

para

(vi)ver (a mim me gustaria) (vi ver)

e (en)contr ar...




foto1KirstenT2lostsouls2KackvogelAlter

17.1.08



~





(este: este é) o norte: desNorte

(( corpo:



corpo de palavras





corpo: este é o meu corpo) (norDeste) (( é:



:





nU




Rio.coRpo




iMprevistamente.arredOndado




:




fruto




letra.a.línGua




desNuDado










.













(este) (deste) (( l e s t e ) (é:


foto1PauloLeandro2amandaComPhoto

13.1.08






~ inclinado en las tardes















































Inclinado en las tardes tiro mis tristes redes

a tus ojos oceánicos.
Alli se estira y arde en la más alta hoguera
mi soledad que da vueltas los brazos como un náufrago.


Hago rojas señales sobre tus ojos ausentes
que olean como el mar a la orilla de un faro.
Sólo guardas tinieblas, hembra distante y mia,
de tu mirada emerge a veces la costa del espanto.


Inclinado en las tardes echo mis tristes redes
a ese mar que sacude tus ojos oceánicos.
Los pájaros nocturnos picotean las primeras estrellas
que centelleam como mi alma cuando te amo.


Galopa la noche en su yegua sombria
desparramando espigas azules sobre el campo.







Inclinado nas tardes lanço as minhas tristes redes
aos teus olhos oceânicos.
Ali se estira e arde na mais alta fogueira
a minha solidão que esbraceja como um náufrago.


Faço rubros sinais sobre os teus olhos ausentes
que ondeiam como o mar à beira de um farol.
Somente guardas trevas, fêmea distante e minha,
do teu olhar emerge às vezes o litoral do espanto.


Inclinado nas tardes deito as minhas tristes redes
a esse mar que sacode os teus olhos oceânicos.
Os pássaros noturnos debicam as primeiras estrelas
que cintilam como a minha alma quando te amo.


Galopa a noite na sua égua sombria
derramando espigas azuis sobre o campo
.














PabloNeruda
TradSemIdfoto1FrauHorst2fireMarcelPollner




~