31.3.08




~~




também as pessoas sérias





~



também as pessoas rias



se cruzam às vezes na sombra da tarde:

quando não podem fugir

indagam cuidadosamente a curvatura dos líquidos

recordando

estridências de ninhos muros exílios

tangerinas flores de orvalho

[ que também elas se lembram filhas do bosque e

mais por dentro

veados:


religam por isso os ecos da língua à noite

salivando como gotas alongadas

numa estranha e póstuma fidelidade:

assim se espalham

nos cantos do ar

nas águas que cegam nas cores que se

afagam.



[ as pessoas sérias



filtradas ao medo à ponte ao segundo

assim de repente inviáveis

num bito contrair galopado

arrastam consigo penas

interrogam

circulares:



:misteriosas

se inclinam

a murmurar traduções

no crivo da tarde




































foto1 robert and shana parkeharrison 2 the crossing idem




28.3.08






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quando eu tiver setenta anos









quando eu tiver setenta anos

então vai acabar esta minha adolescência


vou largar da vida louca

e terminar minha livre docência

vou fazer o que meu pai quer

começar a vida com passo perfeito


vou fazer o que minha mãe deseja

aproveitar as oportunidades

de virar um pilar da sociedade

e terminar meu curso de direito



então ver tudo em sã consciência

quando acabar esta adolescência














PaulLeminski _alterado_ foto2Robert_and_Shana_ParkeHarrison_Elegy_2007
~



18.3.08



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a palavra











- Falais quando deixais de estar em paz com os vossos pensamentos, e quando já não conseguis lidar com a solidão do vosso coração, viveis com os lábios e o som é uma diversão e um passatempo.



E, em muita da vossa conversa, o pensamento fica amordaçado.



Pois o pensamento é um pássaro do espaço que numa gaiola de palavras pode abrir as asas mas não pode voar.




Alguns procurama as palavras com medo de ficarem sozinhos. O silêncio da solidão revela aos próprios olhos o eu mais puro de que alguns, aflitos, gostariam de fugir.



Outros falam e, sem o saberem, ou premeditarem, revelam uma verdade que nem eles entendem. Outros ainda têm em si a verdade, mas não a exprimem por meio de palavras.















Quando encontrardes o vosso amigo à beira do caminho ou na praça do mercado que o espírito anime os vossos lábios e dirija a vossa língua.

Porque a sua alma guardará a verdade do vosso coração como o aroma permanece no vinho.









kahlilGibranOProfetaFoto1RobertParkeHarrisonMarksChris2NirHobFlowers





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uma voz na pedra











Não sei se respondo ou se pergunto.



Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.

Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.

Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.























De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.







A minha tristeza é a da sede e a da chama.


Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.


O que eu amo não sei.






Amo.






Amo em total abandono.


Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente. Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.


Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.


Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.









Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.






Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra












[ antónio ramos rosa






13.3.08






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TODAS AS PALAVRAS







As que procurei em vão,

principalmente as que estiveram muito


perto,

como uma respiração,


e não reconheci,

ou desistiram e

partiram para sempre,


deixando no poema uma espécie de goa

como uma marca de água impresente;

as que (lembras-te?) não fui capaz de

dizer-te

nem foram capazes de dizer-me;



as que calei por serem muito cedo,

as que calei por serem muito tarde,


e agora, sem tempo, me ardem;


as que troquei por outras (como poderei

esquecê-las desprendendo-se longamente de mim?);



as que perdi, verbos e

substantivos de que

por um momento foi feito o mundo.


E também aquelas que ficaram,

por cansaço, por inércia, por acaso,

e com quem agora, como velhos amantes sem

desejo, desfio memórias,


as minhas últimas palavras.






























ManuelAntónioPinaAlteradofoto1GudrunRaatschen2jMm

11.3.08






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As aves
Foron elas , as aves de marzo ,








as que viñan anunciando con velocidade de motor ou asteroide cego
a fusión dos grandes xelos que destilan sangue de navalla ,




que as que avisaron da cor brava dos campos e da terra
carícia das marés , lábios de estanque .





elas escribiron o teu nome na memória
dunha tarde azul de marzo mentres eu vivía
recén vestido de espera para a festa do ar .
e alguén pasou repetindo un nome , o teu de
ave senlleira,





muller inevitábel , luz que danza .




Entón viñeche ti perguntar sempre , se para sempre era ,
este amor revelado nos circuitos migratorios

do último día de inverno ,

















a escrita das aves de marzo XoséMaríaÀlvarezCáccamo /alterado fotog flying lesson RobertParkHarrison




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9.3.08





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[ exercício








entre




























la









possibilité d´être


oiseau et le






glisssssssssssssssement du désir
































fotos RobertParkeHarrison_Tethered_Visitation

6.3.08


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F E A R








Fear of seeing a police car pull into the drive.

Fear of falling asleep at night

Fear of not falling asleep.

Fear of the past rising up.
Fear of the present taking flight.
Fear of the telephone that rings in the dead of night.



Fear of electrical storms.


Fear of the cleaning woman who has a spot on her cheek!
Fear of dogs I’ve been told won’t bite.




Fear of anxiety!
Fear of having to identify the body of a dead friend.
Fear of running out of money.
Fear of having too much, though people will not believe this.



Fear of psychological profiles.



Fear of being late and fear of arriving before anyone else.
Fear of my children’s handwriting on envelopes.



Fear they’ll die before I do, and I’ll feel guilty.
Fear of having to live with my mother in her old age, and mine.

Fear of confusion.
Fear this day will end on an unhappy note.


Fear of waking up to find you gone.

Fear of not loving and fear of not loving enough. Fear that what I love will prove lethal to those I love.


Fear of death.
Fear of living too long.


Fear of death.


















I’ve said that.

















RaymondCarverMuitoAlteradoTraduçãoEmCommentFoto1CarlRymenamsBusstop2areiaAntonioFRibeiro3martinBiribauer






.


1.3.08




~







remember remember i cannot remember










rebmemer ][ remember








] tonnac i ]





i cannot i cannot remember not me not me i












rápidasfotosdepassagemlisboaberardoCCBdezembro2007

25.2.08






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estou deitada à semente oval do reino



colo na tua memória poética as cartas do ar

ainda é natal a flor excessiva de rosa falece no vaso

ontem como agora

[ often being a bird

não comer não dormir não ser




des con ti nu ar









teço esta gaiola na água mais limpa

rotina calada da nota mais vaga

sem saber a resposta às perguntas
do sangue

da altura dum sol grotesco e vão









de frente à



inutílima retórica das palavras


pressinto as aves que chegam mais tarde

e porém e ainda

deste


longe mais perto às órbitas que anunciaste



daqui te peço




[ te peço por dentro das luas

que sou












explica-me

[ o branco entre-linhas o canto do ninho

explica-me os pássaros













foto1SleepingWithTheStonesJPSousa2do blog da vi 3MandySchaff





~

20.2.08






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- aponta aponta me à terra esse

sonho dream rêve



amanhã tomorrow demain
pára raios de garfos erectos


amor
love amour


a m or

a



ver dade the
truth la vérité



é que as palavras são tão parcas de alegria



muito menos porta onde se esgaravata e tanto menos



com preen são understanding compréhension



pa lavras the
words les paroles


levariam



tern ura
tenderness tendresse



que nos voasse
ao mundo que


se enrola todos os dias onde se morre do tarde das palavras


na escassez deserdada de gestos ]



a verdade truth vrai





das palavras do labirinto a desistir


[cravadas de espantadas interrogações poses automáticas


da vida life la vie




onde não jorra nenhuma senão lentidão verbal


arrumadinha em caixotes de prata...um palato inacabado




línguas encravadas de pasta pânico e estacas




liber dade
freedom la liberté



se não liberta antes secura bebida no pó


longas estradas de atravessar com pri dís si mos nadas


na peugada da aflição canora do


ven to
the wind le vent

errático en dividado sempre a soprar do outro lado

do outro lado do ar rio que implode e se contrai


sempre do outro lado... do lado










do outro la do













de l´autre côté















from the other side













texto a partir da sugestão do uso de 12 palavras da mateso, artmus , foto1straightSaschaKrause2zéPedro

16.2.08


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estava deitada lendo um romance pol


icial intitulado crime pelo telefone


e tinha chegado à cena em que a vít


ima está deitada lendo um romance p


olicial intitulado crime pelo telef


one e é subitamente arrancada da le


itura por uma campainhada estrídula


do telefone. neste momento foi subit


amente arrancada da leitura por uma


campainhada estrídula do telefone. c


om o coração a bater e um amargo na


boca preparava-se para ir atender. f


oi neste momento que acordou banhad


a em suor e acendendo a luz viu no


espelho o cano da pistola apontado


para si: as forças de segurança gelam.


para bem do bem. se necessário a mal.











Nota - Trata-se dum jogo sexual perfeitamente inofensivo, uma vez que não há ejaculação propriamente dita







~

albertoPimenta.alteradoFotoAnnaEckold

14.2.08

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¡TODO ERA AMOR!¡


Todo era amor... amor!


No había nada más que amor.











En todas partes se encontraba amor.

No se podía hablar más que de amor.



Amor pasado por agua, a la vainilla,



amor al portador, amor a plazos.



Amor analizable, analizado.



Amor ultramarino.




Amor ecuestre.





Amor de cartón piedra, amor con leche...



lleno de prevenciones, de preventivos;

lleno de cortocircuitos, de cortapisas.






Amor con una gran M, con una M mayúscula,



chorreado de merengue,



cubierto de flores blancas...



Amor espermatozoico, esperantista.



Amor desinfectado, amor untuoso...



Amor con sus accesorios, con sus repuestos;





con sus faltas de puntualidad, de ortografía;






con sus interrupciones cardíacas y telefónicas.



Amor que incendia el corazón de los orangutanes,



de los bomberos.



Amor que exalta el canto de las ranas bajo las ramas,



que arranca los botones de los botines,



que se alimenta de encelo y de ensalada.





Amor impostergable y amor impuesto.



Amor incandescente y amor incauto.

Amor indeformable.




Amor desnudo.





Amor amor que es, simplemente, amor



.











Amor y amor... ¡y nada más que amor!



























oliverioGirondo
alterado foto1verdesAnosPauloCésar2flowerTripSuzanneB3aoLuar

11.2.08







~








































Vibamus, mea Lesbia, atque amemus

Rumoresque senum seuesriorum

Omnes unius aestimemus assis.

Soles accidere et redire possunt;

Nobis cum semel occidit breuis lux,

Nox est perpetua una dormienda.

Da mi basia mille, deinde centum.

Dein mille altera, dein secunda centum,

deinde usque alteremille, deide centum.

dein, cum milia multa facerimus,

Conturbabimus possit illa, ne sciamus,

Aut nequis malus inuidere possit,

Cum tantum sciat esse basioruim.







________________________________________________________



Vivamos, Lésbia, amando,

e que nos não perturbe

o cansado murmúrio

de quem envelheceu.

Podem morrer, nascer

seguidamente os sóis:

a nós, porém, assim

que a breve luz nos foge,

logo nos é forçoso

dormir a inteira noite.





Beija-me cem, mil vezes,

inda mais cem, mais mil,

agora mil, e cem...

Depois, quando fizermos

tantos milhares que nem

os possamos contar,

baralhemos a conta,

para evitar que alguém,

sabendo o número exacto,

nos venha a invejar.











~

CATULO entre verona e roma séc.I a.C.traduçãoDavidMourão-Ferreira foto1deborahRuthRenz2angelica


8.2.08





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inventei a dança



inventei a dança
inventei



a


dança.quebra


(( aqui

desnudada faca e ferros


se se adivinhar de que

estrondo.estrilho a talho adivinhar!? ))


xxxxxxxxx


xxxxx


para me

disfarçar ( ai deus





xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx


para me

dis farç ar ( a i



( um passo ante
pa s s o parado abismado )




- onde estiveste tanto tempo sen t ado ) onde ?


sentado

sent ado



intacto.marc ado



( sono sono tenho sono de ti tenho sono de ti



tenho sono.lento tenho.sono lenta sonho sono de ti

de


( No ar agora cabalmente exíguo e seco Mais exíguo e mais seco que o desejo



No ar agora cabalmente exíguo do in s tinto - ai deus


exiguamente.água

deságua

exi

exi
exi






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texto.colagem T S Eliot.Sophia de M Breyner un dress foto1fruitsManuKA2gluecksmarie