30.8.14
















But this dedication is for others to read:




These are private words addressed to you in public.






o grau certo de humidade na alma...

óculos de sol porquÊ destas manhãs de




acordar virgem...

julho embarcou sem aviso acordo e já vai a meio



não vieram as bruxas afinal ontem to feel


the breaThing in uniSon






- are you talking to me ? are you? about...well,


levanto-me às quatro da manhã...olha...o porquê destas manhãs ...





estremunho este lugar gelado aqui nas m
ãos nos pés às vezes




epicentro da angústia onde nunca cheguei...onde sempre.

alm a...a lma o quÊ?



- to hear...the breaThing in uniSon.


ao fim da tarde embala-se o amor.

ai desembrulhá-lo primeiro cuidadosamente.


sozinhos a re cla mar o amor.


( o amor é uma invenção do frio dos líquens dos musgos.


das tosses e das mortes. vive dentro da montanha mágica o amor. magro e cadavérico.


vivemos mercantilmente a vida e o consumo do amor como qualquer outro.


abanamos muito as palavras a dizer que não.


falamos filosofamos o amor de todas as formas para que nunca se cruze connosco. o


u caso se cruze não o reconhecermos usamos amuletos vamos à bruxa tomamos cápsulas.)


não fomos enganados é assim: pick pick me!! me a staaar!!





a inventar livros autores actores. sempre


cada um vê o que quer e tudo se legitima de acordo.


tudo para fugir do amor tudo para provar que

não ansiamos senão o descanso eterno.sa não...


a cedência.


ao fim da tarde o quê embalado ali. putrefacto.are you...




well i know a falling star can fall forever i know


.forever.floating. dança.above. will You please will you pick me a star will.You...?








espreito o mundo envolto em gazes

a cabeça de lado atenta




como cabra ou cegonha como a margarida a sintonizar os passos do sol...



a cabeça de lado atenta ao mundo will you pick me...?



the breaThing in uniSon...fala me sozinha a duas vozes...pick me a star!!





but this dedication is for others to read:


these are private words addressed to you in public.







will You ...as rosas no roseiral que é nosso e apenas n o s s o m m m m m m mm mm





n o s s o m m m mmmmm
Talvez me suceda em mim mesmo. Não sei quem mas alguém morreu em mim. Também ontem pressentia a desaparição e estava ameaçado pela luz, mas hoje é outra a faca diante dos meus olhos.
Não quero ser o meu próprio estranho, estou entorpecido pelas visões. É difícil
por todos os dias luz nas veias e trabalhar na retracção de rostos desconhecidos até que se convertam em rostos amados e depois chorar porque vou abandoná-los ou porque eles me vão abandonar.
Que
estupidez ter medo à beira da falsidade, que cansaço
abandonar a inexistência e
morrer depois todos os dias.

Antonio Gamoneda, in "ardem as perdas" quasi (2004)




arte de
parte parto par te

par t ida

par ti da de brincar
partida de par t ir

par te na da: dedos










(...) E abri a boca para que a minha alma fosse embora.



E ela foi.

















Senti quando caiu em minhas mãos o fiozinho de sangue com que estava amarrada ao meu coração.





/ par ti da de brin car


part ida de par tir.../... ata ...

pedaços de palavras :: re colh idos fru tos.





[ fotos sem id

texto central de Juan Rulfo Pedro Páramo








A minha sombra sou eu




A minha sombra sou eu,

ela não me segue, eu estou na minha sombra


e não vou em mim.
Sombra de mim que recebo a luz,
sombra atrelada ao que eu nascia
distância imutável de minha sombra a mim
toco-me e não me atinjo,

só sei do que seria

se de minha sombra chegasse a mim.

Passa-se tudo em seguir-me

e finjo que sou eu que sigo,

finjo que sou eu que vou

e não que me persigo.

Faço por confundir a minha sombra comigo:

estou sempre às portas da vida,

sempre lá, sempre às portas de mim!












.poema de almadaNegreiros in poemas.forma alterada.fotos.summerFieldsSebastianPosse.inTheFields.DanL.seguido de


DUPLO



Um homem de bicicleta tão veloz que quase não o víamos

passou e gritou com uma voz rouca cuidado
mas antes de podermos reagir já ele passara
e antes de podermos ver já quase se perdera.
Devia ser um profissional, era ver como debaixo
do viaduto desapareceu, quase transparente, uma nuvem
de pó, não que se erguesse do asfalto, antes
cada vez mais e mais seguro por si mesmo se alcançar.





evaGerlacht
.Uma Migalha na Saia do Universo - Antologia da Poesia Neederlandesa do SéculoVinte.traduçãoFernandoVenâncio




ESBOÇO PARA UM POEMA DE AMOR MODERNO

embora o branco



seja mais bem descrito pelo cinzento

o pássaro pela pedra

girassóis em Dezembro

os poemas de amor de outrora

eram descritos pela carne

descreviam isto e aquilo

por vezes pálpebras



e embora o vermelho deva ser descrito
pelo cinzento o sol pela chuva
papoilas em Novembro
lábios de noite


a mais tangivel descrição do pão
é uma descrição de fome

nela está
o caroço húmido e poroso
o interior quente
girassóis à noite

os seios ventre e coxas de Cibele
uma primaveril clara
e tangente descrição
da água
é uma descrição da sede
cinzas
deserto
isso produz uma miragem
nuvens e árvores movem-se
para dentro do espelho
privação de desejo
ausência da carne
tudo isto é uma descrição de amor
um poema de amor moderno

~~

O VERDADEIRO AMOR


O verdadeiro amor. É normal,
é sério, é prático?
O que é que o mundo ganha com duas pessoas
que vivem num mundo delas próprias?
Colocadas no mesmo pedestal sem mérito nenhum,
extraídas ao acaso entre milhões, mas convencidas
que era assim que tinha que ser - em prémio de quê? De nada.

A luz desce de qualquer lado.


Porquê nestas duas e não noutras?
Não é isto uma injustiça? É sim.
Não é contra os princípios estabelecidos com diligência,
e derruba a moral do seu cume? Sim, as duas coisas.
Olha para este casal feliz.
Não podiam ao menos tentar esconder-se,

fingindo um pouco de melancolia, por cortesia com os seus amigos.
Ouçam como riem - é um insulto
a linguagem que usam - ilusoriamente clara.
E aquelas pequenas celebrações, rituais
as mútuas rotinas elaboradas -
parece mesmo um acordo feito nas costas da humanidade.

É difícil prever a que ponto as coisas chegariam,
se as pessoas começassem a seguir o seu exemplo.
O que é que aconteceria à religião e à poesia?

O que é que seria recordado? Ou renunciado?
Quem quereria ficar dentro dos limites?

O verdadeiro amor. É mesmo necessário?


O tacto e o silêncio aconselham-nos a passar por cima dele em silêncio,
como sobre um escândalo na alta roda da vida.

Crianças absolutamente maravilhosas nasceram sem a sua ajuda.
nem um milhão de anos conseguiriam povoar o planeta.



Ele chega tão raramente.


Deixem que as pessoas que nunca encontraram o verdadeiro amor,
continuem a dizer que tal coisa não existe.
Com essa fé será mais fácil para eles viver e morrer.













/ poema1.tadeusRózewicz. poema2.wislawaSzymborska.tradutor desc.in qual é a minha ou a tua língua?-cem poemas de amor de outras línguas.assírio&alvim. nov.2003.formaAlterada.tradutor.desc.org.jorgeSousaBraga::foto1.Konformitat.JanRohwedder.2.oliverBonder.3.intoMySoul.LaraPires.4.redOne.lisaX.5.amidstShatteredGlass.jPSousa. /


















Não aqui
Não parti, não regressei
não estive nunca
neste lugar.
Nem estou aqui agora.
Tanto como hoje,
outrora estar aqui
foi conhecer
não uma terra mas o seu vazio.
A ciência dos lugares
é duvidosa e vã.
Arde a paisagem
nos olhos que a contemplam.
Uma viagem,-como?
Os mapas traçam-se
com um sopro indelével
de sombra
e esquecimento.





Não aqui
Não parti, não regressei
não estive nunca
neste lugar.
Nem estou aqui agora.
Tanto como hoje,
outrora estar aqui
foi conhecer
não uma terra mas o seu vazio.
A ciência dos lugares
é duvidosa e vã.
Arde a paisagem
nos olhos que a contemplam.
Uma viagem,-como?
Os mapas traçam-se
com um sopro indelével
de sombra
e esquecimento.













afloro brevemente os frágeis - inexistentes - fios desta tarde


trama.azul .violeta.verde.água


l a r a n j a

/ choro.canto.traço.vento.lamento.




:: afago a cabeça andarilha do vento

e reato na boca a profundidade aérea

destas veias


num corpo in suspeitado

à palma da mão facas lentes velas espuma


j a s m i m



resistir :: escavo aprendo


declino repito pergunto re insisto :: se a tudo


falta


s e


s e falta


se


se


se


s e a t u d o f a l t a m e t a d e





Anônimo disse...

/de Paulo Leminski

.Distâncias Mínimas.


um texto morcego

se guia por ecos

um texto texto cego

um eco anti anti anti antigo

um grito na parede rede rede

volta verde verde verde

com mim com com consigo

ouvir é ver se se se se se








write me write

on me on me on

write me

the words
you can
you should
tell
écris moi

les paroles que les choses paroles

tu peux

me dire

dansent
vient
dessine moi le vent l e v e n t
qui


crie
écris
écris
écris moi
wash me
me me me

////////////////////////////////////////////////////////// wash me away

wash wash me

aprés aprés
les choses les paroles

choses
qui dancent dessine moi un mouton
u n m o u t o n


toi toi toi
////// kill k il li n g me k i l l

me die me

die me
me dire me dire moi

les choses les toits dansent

le vent

les
dessine dessine moi le vent



ps. ///////////////////////////////// write me write me on the words you can tell write me on




fotosMariaFlores



NUOBAS PURMANHANAS






NOVOS ALVORES





2 Hai manhanas que s´albántam albas de rábia calhada cumo scuma: que outra cousa poderie benir d´ayunas que bénen de l percípio de l mundo? Hai manhanas an que me tóman las feridas que tapo cun palabras serenas cumo remansos adonde me deito. Muitos calhos fázen ls anhos zurzidos por caídas de suonhos tropeçados an caminos adonde las bielhas nunca sécan.



3 Bibimos fuogos que nanhum bombeiro apaga. Içca que dura anhos i seclos até arder an claro azul. Por adonde andará l segredo d´arder sin nunca arder?








5 Las manhanas zúnhen-me de mirar al trás i al palantre scarranchado num tiempo perdido cumo riu sin bordas you que nunca gostei de l mar. Fago las nuites más anchas a ber se me cabo todo alhá sperto anteiro i ampeço l die cumigo todo.





8 L Cántico de ls Cánticos ampurraba madura la nuite. Quando la purmanhana batiu a la puorta faziste que drumies: acendiste un suonho i atireste-se-lo pul buraco de la fechadura. Era meidie quando chamemos l zayuno.






excertos do poema nuobas purmanhanas FranciscoNiebro in culaTornaAmpuostaQuinquieraAra( mirandês )fotosTilOstavenhagenMariaFlores
traduçãoAlbertoMirandaCarlosFerreira( in comment :)






NUOBAS PURMANHANAS





e



assim




permane cer



entre




sol






e




erva







.ervas-do-milagre


/ doce cama-de-ervas



.olhos dilatados

amplos-olhos-de-erva




/ ? que ardendo só ardem

nos sulcos da pele



no chão derramado

amar elo-casta nho


casta nho


a m a r e l o
t o r r a d o





























que faria

que faria sem este mundo

sem rosto sem perguntas

onde ser dura apenas

um instante


onde cada instante

verte para o vazio o esquecimento de ter sido


sem esta onda onde no final


corpo e sombra juntos se devoram

que faria sem este silêncio sorvedouro dos murmúrios

que anelam frenéticos por socorro por amor

sem este céu que se ergue

sobre a poeira do seu lastro

que faria
faria o que fiz ontem o que fiz hoje

espreitar do meu postigo para ver se não estou só
a dar voltas e voltas longe de toda a vida

num espaço fantoche


sem voz no meio das vozes


encerradas comigo






















1948 poema.de.SamuelBeckettTradManuelPortelainRelâmpago
Fotos1.MaritBeckmann2.caja.SemId3.PauloCésar




/ e porque ando sempre às voltas com este autor, habitante doutros lugares.
poema de ManuelAntónioPina



Uma coisa que me põe triste

é que não exista o que não existe.

(Se é que não existe, e isto é que existe!)

Há tantas coisas bonitas que não há:

coisas que não há, gente que não há,

livros por ler, coisas por ver,

feitos desfeitos, outros feitos por fazer,

pessoas tão boas ainda por nascer

e outras que morreram há tanto tempo!

Tantas lembranças de que não me lembro,

sítios que não sei, invenções que não invento,

gente de vidro e de vento, países por achar,

paisagens, plantas, jardins de ar,

tudo o que nem posso imaginar

porque se o imaginasse já existia

embora num sítio onde só eu ía...







in O Pássaro da Cabeça ( livro supostamente infantil :)
fotoLjubaG





para quê olhos



se















tudo.por.dentro
refr acta


ata


est ala


move


dil ata






























fot.blueLightMadouJensH