oca te eco ) oi p oi r on ver de á
gua e co o oc e pi i o lu z
( aoc m e m e coa co a a a lá
es c oa a à
( o co ri o l ei to ( f az
( Mya L - fot
~
dress+Rafaela.jpg)
Tudo será construído no silêncio, pela força do silêncio, mas o pilar
mais forte da construção será uma palavra.
Tão viva e densa como o silêncio e que, nascida do silêncio,
ao silêncio conduzirá.
~
[
A continuidade do tempo é a sucessão de presenças e ausências, de elevações e quedas, de desaparecimentos no seio do aparecer, de enxames de sombras nos círculos luminosos.
O conhecimento desta dualidade leva o construtor a ter em conta o vazio e a sombra como condições da densidade e leveza da sua construção.
Assim na materialidade maciça do ser é necessário abrir concavidades e vazios para que o fluir do tempo se actualize na matéria com a musicalidade do ser.
A graça e o encanto das formas resulta desse jogo de luzes e sombras, de plenos e vazios, de formas côncavas e convexas, de planos e curvas, de tonalidades suaves e cores intensas.
A morada será como uma concha adormecida com largas e baixas janelas abertas para o mar e os campos monótonos de sobreiros e olivais, e de um terraço liso e vermelho avistar-se-à
também o mar e o horizonte e, à noite, o silencioso e cintilante harmónio das estrelas como um vasto leque imóvel e rutilante, soberanamente aberto.
Esta abertura do espaço cósmico fomentará a unidade que o construtor procura atravéz da dualidade do tempo.
A casa terá por isso a flexibilidade vegetal de uma planta e a transparência de um animal aéreo suspenso num voo largo e repousado, interminavelmente aberto à tranquilidade de um
puro espaço.
antónio ramos rosa o aprendiz secreto [ alterado
rafaela (un)dress [ foto
[( jardim de pálpebras de rosa ramos rio sombras e pássaros-amnióticos, aqui: desde o primeiro dia, sobre este chão quente - terra s, rio s, vento s, luz e treva s, front eiras, vo os e janela s, eco s e eco: um só eco de fé, esta estação, esta onde chego, a aprender uma outra voz, assim tão nua: do centro mais in contornável do in s tinto, em traça quase geo gráfica, eu me bli mundo, re conhecida nesta posse, eu, un dress, e eu, pessoa, es sência de ser, con sub s tanci ada in s crição, trans parência in tegral ( agudís sima, silfídica, ben dita luci dez: in finita mente cega: do amor de a mar - ( ~

apal pado
um poema
que não se pode a pal par
queira talvez ser a den trado
um poema
que não se pode a dent r ar
queira talvez se olh a do
queira tal vez ser com pre en dido
wenn man ginge ? Onde
chegar-íamos
Se todos dissessem: onde chegaríamos? mas ninguém fosse olhar ao menos uma vez onde chegaríamos se fôssemos?
se se se sesese se ssssssss sss
"autopsicografia" ou o conceito do leitor ideal
a poesia afasta da realidade. se, num vértice, é uma resposta ao mundo, no outro é a própria alucinação. os fabricadores de imagens mais não fazem que imitar o que veêm e sentem pelas calhas de roda. a verdade esconde-se do poeta que a dissimula e reverte-a e esconjura-a. aquele que melhor pinta, é também o artista mais perigoso: o que mais se aproxima da verdade e ilude os inofensivos, fá-los acreditar. pelo conceito de verosimilhança, a poesia leva os homens a acreditar. a poesia não pode ser uma vivência pessoal, não é um desabafo. os artifícios manejados pelo poeta não deviam motivar as paixões, desinquietar as peles. não desinquietou a dele!ler a poesia com uma finalidade útil. vivê-la quem lê. não senti-la.a linguagem poética é a linguagem que sofreu de inoperactividade. esvaziou do significado primeiro e ficou livre para receber novos conteúdos. o poema nunca quer dizer o que diz. nada há a dizer, daquilo que se vive.
["a poem should not mean, but be" archibald mac leish4'38/21 jan/para o "sombras múltiplas"
kurt marti poemas à margem desconstruído foto 1 linhas a brito
texto autopsicografia do blog da lia bettencurt gesta
.
~
peri feri a
s )(
) palomas pássaros pedras gatos cegonhas índicos indícios ~
cegonhas gansos aves cerejas [ aves cais ancorar lobo cais
: todo se explica en la impossibilidad
palomas gansos côncavos ais rosa abutre morabeza laranja
Atraviesan
la inexistencia.
Hay huellas de pastor frente al abismo.
Cóncavas.
Todo se explica en la imposibilidad.
Hay úlceras en la pureza,
de lo visible a lo invisible.
( xxxxxxxxxxxxxxxx escatologicamente: consistimos: ondas sopro indícios: índicos ais: palomas
Quizá el silencio dura más allá de sí mismo y la existencia es sólo
un grito negro, un alarido ante la eternidad.
El error pesa en nuestros párpados.
alterações [ indefinitivas sobre poemas de antonio gamoneda in arden las pérdidas
foto1 e 4 ana franco 2 carlos cunha 3 diogo ramos moreira
~
di bezus qui a mí no das/
la nochi es polvu dest'ixiliu/
tus bezus inculgan lunas
y timblu dibaxu dil sol/
a tua voz clara choca de beijos: a tua voz voz de arca rio barca :: voz ancorada
dibaxu
escorre corpo acima livre imprimo farejo inscrições : sopro voz de pedra parideira :: amanteigada via longe lata resposta réstea difuminadu
dibaxu
o metal efervesce gestos transbordo o corpo da tua voz o apelo da palha: a tua voz de menino calada :: voz de fronteira cega de mapas
dibaxu
raio a tua voz disseminada quase sombra sal perfume amixia amniótica de orvalhos
dibaxu
cabeça seguindo o peito seguindo o sexo por esta ordem a língua viva raíz espessa doce gesto licor penas : branco ramo macieira sangue a pulso calor abrigado
dibaxu
ensaio tronco impresso ésse : ázimo pão lunar funambulário :: entranço inculco amasso escuto: hora: dez: diz dez diz manhã parada
por cima ao lado por dentro à boca : afago boca de lobo atalho olhos abaixo a tecer ser :: digo voz dez: calo divago
devagar olhar ar
: dez: voz: calo: axo: calamus grito: voz dez digo :: encaxo
[ variação sobre poema de Juan Gelman alterado dibaxu tradução do sefardita de Andityas Soares de Moura
foto 1 hannah t lovers 2 annika silander


- Sois bonitas mas vazias - disse o principezinho.

[[[- Tu as du bon venin ? Tu es sûr de ne pas me faire souffrir longtemps ? ]]]
excertos le petit prince antoine de saint-exupéry tradução im]própria :)
foto1 erwin seiler 2 sem id 3 francisco josé sena 4 dekadenz
~

Peindre d'abord une cage
avec une porte ou verte
peindre en suite
quelque chose de joli
quelque chose de simple
quelque chose de beau
quelque chose d'utile
pour l'ois eau ~
placer ensuite la toile contre un arbre
dans un jardin
dans un bois
ou dans une forêt
se cacher derrière l'arbre
sans rien dire
sans bouger...
Parfois l'ois~eau arrive vite
mais il peut aussi bien mettre de longues années
avant de se décider
Ne pas se décourager
at tendre
attendre s'il le faut pendant des années
la vitesse ou la lenteur de l'arrivée de l'ois~eau
n'ayant aucun rapport
avec la réussite du tableau
Quand l'ois~eau arrive
s'il arrive
observer le plus profond silence
attendre que l'~oieau entre dans la cage
et quand il est entré
fermer doucement la porte avec le pinceau
puis
effacer un à un tous les barreaux
en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de
l'ois~eau
Faire ensuite le portrait de l'arbre
en choisissant la plus belle de ses branches
pour l'ois eau~
peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
la poussière du soleil
et le bruit des bêtes de l'herbe dans la chaleur de l'été
et puis attendre que l'ois eau~ se décide à chanter
Si l'~ois eau ne chante pas
c'est mauvais signe
signe que le tableau est mauvais
mais s'il chante c'est bon signe
signe que vous pouvez signer
Alors vous arrachez tout douce ment
une des plumes de l'~ois eau
et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau.
Para pintar o retrato de um pás s aro
Primeiro pinte uma gaiola
com a porta aberta.

Depois pinte
Às vezes o pás s aro aparece logo
mas ele pode demorar muitos anos
antes de se decidir.
Não desanime.
Espere.
Espere durante anos, se for necessário.
A rapidez ou a lentidão do pás s aro
não influi no bom resultado
do quadro.
Quando o pás s aro aparecer
se ele o fizer
observe no mais profundo silêncio
até ele entrar na gaiola
e quando ele assim agir
delicadamente feche a porta com o pincel.
Então,
apague uma a uma todas as grades
tomando cuidado para não tocar na plumagem do pás s aro.
Em seguida, pinte o retrato de uma árvore
escolhendo o mais bonito de seus galhos
para o pás s aro.
Pinte também a folhagem verde e o frescor do vento
o dourado do sol
e a algazarra das criaturas, na relva,
sob o calor do verão.
e então espere até que o pássaro decida cantar.
Se ele não cantar
é um mau sinal,
um sinal de que a pintura está ruim.
Mas se ele cantar é um bom sinal
um sinal de que você pode assinar.
Então, com muita delicadeza, você arranca
uma das penas do pás s aro
e escreve seu nome em um canto do quadro.

[ poema jacques prévert alterado trad não id
4 ~jacques prévert paris 1955 foto robert doisneau
3 ~henri matisse foto henri cartier-bresson
2 ~foto não id
1 ~modesto ooo2 desenho fernando zanforlin
também as pessoas sérias
se cruzam às vezes na sombra da tarde:
quando não podem fugir
indagam cuidadosamente a curvatura dos líquidos
recordando
estridências de ninhos muros exílios
tangerinas flores de orvalho
[ que também elas se lembram filhas do bosque e
mais por dentro
veados:
religam por isso os ecos da língua à noite
salivando como gotas alongadas
numa estranha e póstuma fidelidade:
assim se espalham
[ as pessoas sérias
filtradas ao medo à ponte ao segundo
assim de repente inviáveis
num súbito contrair galopado
arrastam consigo penas
interrogam
circulares:
:mis
se inclinam
a murmurar traduções

quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta minha adolescência
vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência
vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito
vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito
então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência

PaulLeminski _alterado_ foto2Robert_and_Shana_ParkeHarrison_Elegy_2007 ~

uma voz na pedra

Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha tristeza é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei.
Amo.
Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente. Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.

Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra
As que procurei em vão,
principalmente as que estiveram muito
as que troquei por outras (como poderei
esquecê-las desprendendo-se longamente de mim?);
E também aquelas que ficaram,
por cansaço, por inércia, por acaso,
e com quem agora, como velhos amantes sem
desejo, desfio memórias,
as minhas últimas palavras.
