28.6.08










~












~




























































~










~






































































































25.6.08




~~








eco o a oce







ab re silen oci cio rio ( aco et oce


oca te eco ) oi p oi r on ver de á


gua e co o oc e pi i o lu z


( aoc m e m e coa co a a a lá

es c oa a à

( o co ri o l ei to ( f az





( Mya L - fot




~

20.6.08









~














Tudo será construído no silêncio, pela força do silêncio, mas o pilar

mais forte da construção será uma palavra.




Tão viva e densa como o silêncio e que, nascida do silêncio,

ao silêncio conduzirá.



~



[


A continuidade do tempo é a sucessão de presenças e ausências, de elevações e quedas, de desaparecimentos no seio do aparecer, de enxames de sombras nos círculos luminosos.
O conhecimento desta dualidade leva o construtor a ter em conta o vazio e a sombra como condições da densidade e leveza da sua construção.
Assim na materialidade maciça do ser é necessário abrir concavidades e vazios para que o fluir do tempo se actualize na matéria com a musicalidade do ser.
A graça e o encanto das formas resulta desse jogo de luzes e sombras, de plenos e vazios, de formas côncavas e convexas, de planos e curvas, de tonalidades suaves e cores intensas.
A morada será como uma concha adormecida com largas e baixas janelas abertas para o mar e os campos monótonos de sobreiros e olivais, e de um terraço liso e vermelho avistar-se-à

também o mar e o horizonte e, à noite, o silencioso e cintilante harmónio das estrelas como um vasto leque imóvel e rutilante, soberanamente aberto.
Esta abertura do espaço cósmico fomentará a unidade que o construtor procura atravéz da dualidade do tempo.
A casa terá por isso a flexibilidade vegetal de uma planta e a transparência de um animal aéreo suspenso num voo largo e repousado, interminavelmente aberto à tranquilidade de um

puro espaço.













antónio ramos rosa o aprendiz secreto [ alterado
rafaela (un)dress [ foto









[( jardim de pálpebras de rosa ramos rio sombras e pássaros-amnióticos, aqui: desde o primeiro dia, sobre este chão quente - terra s, rio s, vento s, luz e treva s, front eiras, vo os e janela s, eco s e eco: um só eco de fé, esta estação, esta onde chego, a aprender uma outra voz, assim tão nua: do centro mais in contornável do in s tinto, em traça quase geo gráfica, eu me bli mundo, re conhecida nesta posse, eu, un dress, e eu, pessoa, es sência de ser, con sub s tanci ada in s crição, trans parência in tegral ( agudís sima, silfídica, ben dita luci dez: in finita mente cega: do amor de a mar - ( ~



.

7.6.08




~



apalpar poe mas ~




Gedichte be-tasten Gedichte be-greifen gedicht von gedichtenein gedicht

das nicht zu begreifen ist

möchte vielleicht betastet sein
ein gedicht das nicht zu betasten ist

möchte vielleicht betreten sein
ein gedicht das nicht zu betreten ist

möchte vielleicht betrachtet sein
ein gedicht das nicht zu betrachten ist




möchte vielleicht begriffen sein





] A pal par poemas


Ag ar rar poemas










poema de poemas um poema que não se pode agar rar













queira talvez ser






apal pado





um poema






que não se pode a pal par


queira talvez ser a den trado

um poema


que não se pode a dent r ar

queira talvez se olh a do



um poema


que não se pode ol har



queira tal vez ser com pre en dido

com

com pre en

com com com pre [en d ido ? comido


[[ Wo kämen wir hin Wo kämen wir hin, wenn alle sagten: Wo kämen wir hin , und niemand ginge, um einmal zu schauen, wohin dass man käme,

wenn man ginge ? Onde

chegar-íamos

Se todos dissessem: onde chegaríamos? mas ninguém fosse olhar ao menos uma vez onde chegaríamos se fôssemos?

se se se sesese se ssssssss sss






"autopsicografia" ou o conceito do leitor ideal




a poesia afasta da realidade. se, num vértice, é uma resposta ao mundo, no outro é a própria alucinação. os fabricadores de imagens mais não fazem que imitar o que veêm e sentem pelas calhas de roda. a verdade esconde-se do poeta que a dissimula e reverte-a e esconjura-a. aquele que melhor pinta, é também o artista mais perigoso: o que mais se aproxima da verdade e ilude os inofensivos, fá-los acreditar. pelo conceito de verosimilhança, a poesia leva os homens a acreditar. a poesia não pode ser uma vivência pessoal, não é um desabafo. os artifícios manejados pelo poeta não deviam motivar as paixões, desinquietar as peles. não desinquietou a dele!ler a poesia com uma finalidade útil. vivê-la quem lê. não senti-la.a linguagem poética é a linguagem que sofreu de inoperactividade. esvaziou do significado primeiro e ficou livre para receber novos conteúdos. o poema nunca quer dizer o que diz. nada há a dizer, daquilo que se vive.



["a poem should not mean, but be" archibald mac leish4'38/21 jan/para o "sombras múltiplas"

kurt marti poemas à margem desconstruído foto 1 linhas a brito

texto autopsicografia do blog da lia bettencurt gesta







.


28.5.08





~



peri feri a

s )(











) palomas pássaros pedras gatos cegonhas índicos indícios ~
cegonhas gansos aves cerejas [ aves cais ancorar lobo cais
: todo se explica en la impossibilidad












palomas gansos côncavos ais rosa abutre morabeza laranja




paloma~ s





âncora cais ondas sais ais ~ (((










Palomas.
Atraviesan
la inexistencia.
Hay huellas de pastor frente al abismo.

Cóncavas.
Todo se explica en la imposibilidad.
Hay úlceras en la pureza,
vamos
de lo visible a lo invisible.
En este error descansa nuestro corazón.




























( xxxxxxxxxxxxxxxx escatologicamente: consistimos: ondas sopro indícios: índicos ais: palomas



Quizá el silencio dura más allá de sí mismo y la existencia es sólo

un grito negro, un alarido ante la eternidad.


El error pesa en nuestros párpados.





( todo se explica: leis que: no todo: o amor? nada

: nada se explica: en la mitologia? (



)( todo se explica no ar: nu: não palavra: tudo
en la
movilidad: en las mornas ?


todo se explica na boca aberta: en la mixtura en todo: todo se implica ))

[ todo respira vento todo se implica tudo: todo


se explica subita e inexplicavelmente a:


ser:










alterações [ indefinitivas sobre poemas de antonio gamoneda in arden las pérdidas

foto1 e 4 ana franco 2 carlos cunha 3 diogo ramos moreira



~

18.5.08



~~




tu boz sta escuradi bezus qui a mí no dieras/

di bezus qui a mí no das/

la nochi es polvu dest'ixiliu/

tus bezus inculgan lunas

qui yelan mi caminu/

y timblu dibaxu dil sol/








[ tua voz está escura de beijos que me não deste/de beijos que me não dás/a noite é pó deste exílio/

teus beijos penduram luas que gelam meu caminho/e tremo debaixo do sol/




a tua voz clara choca de beijos: a tua voz voz de arca rio barca :: voz ancorada

dibaxu

escorre corpo acima livre imprimo farejo inscrições : sopro voz de pedra parideira :: amanteigada via longe lata resposta réstea difuminadu

dibaxu


o metal efervesce gestos transbordo o corpo da tua voz o apelo da palha: a tua voz de menino calada :: voz de fronteira cega de mapas

dibaxu

raio a tua voz disseminada quase sombra sal perfume amixia amniótica de orvalhos

dibaxu

cabeça seguindo o peito seguindo o sexo por esta ordem a língua viva raíz espessa doce gesto licor penas : branco ramo macieira sangue a pulso calor abrigado

dibaxu

ensaio tronco impresso ésse : ázimo pão lunar funambulário :: entranço inculco amasso escuto: hora: dez: diz dez diz manhã parada


por cima ao lado por dentro à boca : afago boca de lobo atalho olhos abaixo a tecer ser :: digo voz dez: calo divago

devagar olhar ar

: dez: voz: calo: axo: calamus grito: voz dez digo :: encaxo



dibaxu



























[ variação sobre poema de
Juan Gelman alterado dibaxu tradução do
sefardita de Andityas Soares de Moura

foto 1 hannah t lovers 2 annika silander

11.5.08



~





( rosa









O principezinho foi ver de novo as rosas :


- Não sois nada parecidas com a minha rosa! Ainda não sois nada - disse-lhes ele.

- Ninguém vos cativou e não cativaram ninguém.


São como a minha raposa era, uma raposa perfeitamente igual a cem mil raposas.

Mas eu tornei-a minha amiga e ela passou a ser a única no mundo.



) rosas


































E as rosas ficaram bastante irritadas.






- Sois bonitas mas vazias - disse o principezinho.

- Não se pode morrer por vós.


Claro que, para uma pessoa qualquer, a minha rosa é igual a vocês.

Mas, sozinha, é muito mais importante do que vós todas juntas, porque foi ela que eu reguei.


Porque foi ela que eu pus debaixo de uma redoma.

Porque foi ela que eu abriguei com o biombo.


Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas).

Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se.












Porque ela





é a minha rosa ( ros ^i^ nha

















[[[- Tu as du bon venin ? Tu es sûr de ne pas me faire souffrir longtemps ? ]]]
























excertos le petit prince antoine de saint-exupéry tradução im]própria :)

foto1 erwin seiler 2 sem id 3 francisco josé sena 4 dekadenz


~



3.5.08





( xiiu (



























(( o que tem o amor


o que tem se


tem o que tem o que tem ( não ) o amor a ver com as palavras














não tem





o que tem ( não













( shshsh


shshhshssssssh?hhh


hhhhhxxxxxx?xxxxxiiiiiixxxuuuxxxx


xxxxhhhhiiiiiiiiiiiiiihhhssssxxxxxiuxxsss?ssssshhhhhiuiuiu ))








)



Vou escrever um poema sobre ti,
disse eu a uma ave.


A ave respondeu,


As tuas palavras serão tão coloridas como as minhas asas?


Não, retorqui.


As tuas palavras serão tão doces quanto a música da minha voz?


Não, voltei a responder.


As tuas palavras poderão voar o voo das minhas asas?


Não.


A minha vida estará nas tuas palavras?


Não.


Como poderás então escrever um poema sobre mim? perguntou-me a ave.


Porque te amo, disse.



A ave exclamou, O que tem o amor a ver com palavras?



(








"Versão minha de um poema em língua inglesa, de Harivansh Rai Bachchan, por sua vez traduzido do hindu, não faço a menor ideia de onde."

isabela em
o mundo perfeito alterado

foto1 Anne G white birds 2 Siriol Sherlock vi


26.4.08




~~









pour faire le portrait d´un ois eau ~









Peindre d'abord une cage
avec une porte ou verte
peindre en suite
quelque chose de joli
quelque chose de simple
quelque chose de beau
quelque chose d'utile
pour l'ois eau ~
placer ensuite la toile contre un arbre
dans un jardin
dans un bois
ou dans une forêt
se cacher derrière l'arbre
sans rien dire
sans bouger...




Parfois l'ois~eau arrive vite
mais il peut aussi bien mettre de longues années
avant de se décider
Ne pas se décourager
at tendre
attendre s'il le faut pendant des années
la vitesse ou la lenteur de l'arrivée de l'ois~eau
n'ayant aucun rapport
avec la réussite du tableau




Quand l'ois~eau arrive
s'il arrive
observer le plus profond silence
attendre que l'~oieau entre dans la cage
et quand il est entré
fermer doucement la porte avec le pinceau
puis
effacer un à un tous les barreaux
en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de
l'ois~eau




Faire ensuite le portrait de l'arbre
en choisissant la plus belle de ses branches
pour l'ois eau~
peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
la poussière du soleil
et le bruit des bêtes de l'herbe dans la chaleur de l'été
et puis attendre que l'ois eau~ se décide à chanter




Si l'~ois eau ne chante pas
c'est mauvais signe
signe que le tableau est mauvais
mais s'il chante c'est bon signe
signe que vous pouvez signer
Alors vous arrachez tout douce ment
une des plumes de l'~ois eau
et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau.





Para pintar o retrato de um pás s aro
Primeiro pinte uma gaiola
com a porta aberta.













Depois pinte






algo gracioso
algo simples
algo bonito
algo útil
para o pás s aro.
Então encoste a tela a uma árvore
em um jardim
em um bosque
ou em uma floresta.
Esconda-se atrás da árvore
sem falar
sem se mover...







Às vezes o pás s aro aparece logo
mas ele pode demorar muitos anos
antes de se decidir.
Não desanime.
Espere.
Espere durante anos, se for necessário.
A rapidez ou a lentidão do pás s aro
não influi no bom resultado
do quadro.




Quando o pás s aro aparecer
se ele o fizer
observe no mais profundo silêncio
até ele entrar na gaiola
e quando ele assim agir
delicadamente feche a porta com o pincel.







Então,
apague uma a uma todas as grades
tomando cuidado para não tocar na plumagem do pás s aro.
Em seguida, pinte o retrato de uma árvore
escolhendo o mais bonito de seus galhos
para o pás s aro.
Pinte também a folhagem verde e o frescor do vento
o dourado do sol
e a algazarra das criaturas, na relva,
sob o calor do verão.
e então espere até que o pássaro decida cantar.




Se ele não cantar
é um mau sinal,
um sinal de que a pintura está ruim.
Mas se ele cantar é um bom sinal
um sinal de que você pode assinar.
Então, com muita delicadeza, você arranca
uma das penas do pás s aro
e escreve seu nome em um canto do quadro.


































[ poema jacques prévert alterado trad não id

4 ~jacques prévert paris 1955 foto robert doisneau

3 ~henri matisse foto henri cartier-bresson

2 ~foto não id

1 ~modesto ooo2 desenho fernando zanforlin


31.3.08




~~




também as pessoas sérias





~



também as pessoas rias



se cruzam às vezes na sombra da tarde:

quando não podem fugir

indagam cuidadosamente a curvatura dos líquidos

recordando

estridências de ninhos muros exílios

tangerinas flores de orvalho

[ que também elas se lembram filhas do bosque e

mais por dentro

veados:


religam por isso os ecos da língua à noite

salivando como gotas alongadas

numa estranha e póstuma fidelidade:

assim se espalham

nos cantos do ar

nas águas que cegam nas cores que se

afagam.



[ as pessoas sérias



filtradas ao medo à ponte ao segundo

assim de repente inviáveis

num bito contrair galopado

arrastam consigo penas

interrogam

circulares:



:misteriosas

se inclinam

a murmurar traduções

no crivo da tarde




































foto1 robert and shana parkeharrison 2 the crossing idem




28.3.08






~



quando eu tiver setenta anos









quando eu tiver setenta anos

então vai acabar esta minha adolescência


vou largar da vida louca

e terminar minha livre docência

vou fazer o que meu pai quer

começar a vida com passo perfeito


vou fazer o que minha mãe deseja

aproveitar as oportunidades

de virar um pilar da sociedade

e terminar meu curso de direito



então ver tudo em sã consciência

quando acabar esta adolescência














PaulLeminski _alterado_ foto2Robert_and_Shana_ParkeHarrison_Elegy_2007
~



18.3.08



~~





a palavra











- Falais quando deixais de estar em paz com os vossos pensamentos, e quando já não conseguis lidar com a solidão do vosso coração, viveis com os lábios e o som é uma diversão e um passatempo.



E, em muita da vossa conversa, o pensamento fica amordaçado.



Pois o pensamento é um pássaro do espaço que numa gaiola de palavras pode abrir as asas mas não pode voar.




Alguns procurama as palavras com medo de ficarem sozinhos. O silêncio da solidão revela aos próprios olhos o eu mais puro de que alguns, aflitos, gostariam de fugir.



Outros falam e, sem o saberem, ou premeditarem, revelam uma verdade que nem eles entendem. Outros ainda têm em si a verdade, mas não a exprimem por meio de palavras.















Quando encontrardes o vosso amigo à beira do caminho ou na praça do mercado que o espírito anime os vossos lábios e dirija a vossa língua.

Porque a sua alma guardará a verdade do vosso coração como o aroma permanece no vinho.









kahlilGibranOProfetaFoto1RobertParkeHarrisonMarksChris2NirHobFlowers





~~







uma voz na pedra











Não sei se respondo ou se pergunto.



Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.

Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.

Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.























De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.







A minha tristeza é a da sede e a da chama.


Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.


O que eu amo não sei.






Amo.






Amo em total abandono.


Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente. Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.


Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.


Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.









Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.






Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra












[ antónio ramos rosa






13.3.08






~~







TODAS AS PALAVRAS







As que procurei em vão,

principalmente as que estiveram muito


perto,

como uma respiração,


e não reconheci,

ou desistiram e

partiram para sempre,


deixando no poema uma espécie de goa

como uma marca de água impresente;

as que (lembras-te?) não fui capaz de

dizer-te

nem foram capazes de dizer-me;



as que calei por serem muito cedo,

as que calei por serem muito tarde,


e agora, sem tempo, me ardem;


as que troquei por outras (como poderei

esquecê-las desprendendo-se longamente de mim?);



as que perdi, verbos e

substantivos de que

por um momento foi feito o mundo.


E também aquelas que ficaram,

por cansaço, por inércia, por acaso,

e com quem agora, como velhos amantes sem

desejo, desfio memórias,


as minhas últimas palavras.






























ManuelAntónioPinaAlteradofoto1GudrunRaatschen2jMm