30.8.14







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sinto muito ( 2ª parte











a ausência do tempo agora. indiferente. rente agora, ontem. indiferente. amanhã igualmente. como neve ou lama. o vento. essa ausência mostra-me o quanto te amei antes. antes de te conhecer. o quanto já eras antes de seres. era a tua a alma que via e me dava a mão. os teus olhos de rio, terra, vulcão, nuvem, que eu amava quando imaginava que amava. os teus dentes transversalmente lisos que tocava com a ponta do coração. onde-bate-persistente. onde bate docemente. outras vezes:
fogo de corpo que estala ao torvelinho do vento. vinhas: uvas. romãs. o murmúrio lento da tua boca a mostrar-me os sons das palavras que se abrem no peito. a pele nua-crua. o rosto de anilina transparente. muito-longe-de-mim-tu(do)-de-mim. ainda não te conhecia: chegavas -me líquido na fresca viagem das nuvens mais baixas. que faziam cócegas: rias envergonhado e logo me tocavas ao jardim selvagem: aos fetos de
luz.






[ fot sói s mosteiro de s. joão d´agra serra da encarnação v n cerveira

12 comentários:

vinte e dois disse...

Bem, lindíssimo este texto! E com um cheirinho a natureza e campo que lhe dá um aroma muito especial ;)

anatema disse...

Tanto.

Y tanto tiempo imaginando y deseando...

Y cuando llega y lo apresas y haces tuyo...

lo dejas escapar.

¿Qué misterios encierra el ser humano cuando así obra...?

Diva disse...

Este cantinho verde e mesmo uma delicia! Bonito texto...
Bjs meus

Alex disse...

A foto tem tudo a ver com o texto... sentir muito é aquilo que às vezes nos «esquecemos» na correria louca e perfeitamente desnecessária que praticamos... sentir muito é preciso!!!

Bem hajam aqueles que sentem muito, ainda estão VIVOS mesmo no meio desta amálgama de, eu chamaria, quase-vivos!!!

violeta disse...

Ai

Quanto tempo passado

à

Espera do

Céu

patricia disse...

corredor de pedra
de porta
deporta

a luz
a ausência

que sabemos existir
só não em que porta in-trar

a tua ausência vai custar a passar

beijos***muitos***

Pedro Branco disse...

Indiferente o tempo me chamou e me gritou:
"Olha lá, ó rapazinho (É tão bom quando nos chamam -rapazinho...)! Que história é essa de indiferença?!!!"
Parecia zangado. Por isso falei baixinho:
"É uma força de expressão. Sinto muito. Não quis ofender."
E ele, nervoso.
"Ofender?!!! Mas achas que alguém me ofende?"
"Desculpa." A medo.
"Cala-te!!! E olha para ti. No espelho das tuas cidades ou dos teus bucólicos olhares... Que vês?"
"Eu...?"
Mais medo...
"Sim, tu! Ó rapazinho! Cresce e aparece..."
"Crescer é perder o medo?"
Atrevi-me. E muito!
"Não. É ganhar a arte das palavras e do engano."
"Então para que queres tu que eu cresça?"
"Para deixares de te enganar."
"E eu engano-me?"
"Claro. És linda! E não acreditas nisso..."
Definitivamente.
"Oh..."

un dress disse...

de todo amigos... sinto-me agraciada por algo...absolutamente MARAVILHOSO*

a vós: os melhores dos mais insubstituíveis e magníficos por TUDO o que aqui deixaram...

grazia TANTA**

até já

Anônimo disse...

Bela forma

Belo texto de sombras e luz...

E a quem se destina ou destinou?

É que por acaso :))) gostava de

saber...

Muito a sério, gostei... muito.

Abraço

marta disse...

gostei muito...um beijo.

su disse...

Isto faz-me lembrar das casas da terra dos meus pais...saudades...

Parapeito disse...

E que as nuvens te continuem abraçar e a encher de luz...

Gostei de ler te....Foi brisa fresca.

Tudo de bom para ti**